Borat! Cultural Learnings of America for Make Benefit Glorious Nation of Kazakhstan, de Sacha Baron Cohen, completa 20 anos nesta semana. O filme continua sendo um artefato marcante dos anos 2000: datado em suas referências e métodos, mas ainda capaz de oferecer a comédia física e o absurdo crescente que o transformaram em um fenômeno de massa em 2006.
Borat surgiu de Da Ali G Show, que começou no Channel 4 em 2000 antes de passar para a HBO em 2003. O personagem era uma das várias personas usadas por Cohen em uma comédia de confronto construída em torno de entrevistados desavisados, ao lado de Ali G e Brüno. A aparente ignorância cultural de Borat e sua alegria agressiva faziam dele um veículo especialmente eficaz para expor preconceito, vaidade e desconforto social.
O filme ampliou essa fórmula televisiva em uma história livre. Borat viaja aos Estados Unidos para fazer um documentário sobre o país, enquanto espera cortejar Pamela Anderson. Seus momentos mais fortes, porém, vêm menos da narrativa do que da atuação física de Cohen e de seus non sequiturs provocativos, incluindo a cena do vaso sanitário, a troca envolvendo a tartaruga e a perseguição cada vez mais caótica pelo hotel, envolvendo seu produtor, Azamat, interpretado por Ken Davitian.
Borat também foi um grande sucesso comercial. Arrecadou US$ 262 milhões no mundo todo contra um orçamento de US$ 18 milhões e rendeu a Cohen um Globo de Ouro de Melhor Ator. Seu lançamento durante o segundo mandato presidencial de George W. Bush, em meio a guerras no exterior e intensas tensões internas, ajudou a dar ao seu humor de confronto um público particularmente receptivo.
Algumas das sequências mais memoráveis do filme expuseram atitudes repulsivas que já estavam presentes na vida americana. Um grupo de estudantes de uma fraternidade expressou opiniões de orgulho branco e criticou o fim da escravidão antes de assistir à fita de sexo vazada de Pamela Anderson. Outras cenas tinham como alvo o sexismo, a nostalgia dos Confederados e o preconceito social cotidiano. A produção também enfrentou consequências jurídicas consideráveis, incluindo processos malsucedidos movidos por vários participantes e uma ação por invasão de privacidade apresentada por um passageiro do metrô de Nova York depois que Borat soltou uma galinha viva no trem.
O tratamento dado pelo filme ao Cazaquistão e seu uso de estereótipos antissemitas, misóginos e anti-muçulmanos continuam sendo centrais para qualquer reavaliação. A representação da cultura cazaque feita por Cohen provocou reações negativas do governo do país, enquanto o preconceito do personagem era apresentado tanto como recurso cômico quanto como fonte de desconforto. Os anfitriões judeus Joe e Miriam Behar, que receberam Borat e Azamat em sua casa, encararam o filme de forma mais leve, mas sua reação não elimina as preocupações mais amplas em torno de sua premissa.
O trabalho posterior de Cohen intensificou ou redirecionou cada vez mais essas provocações. The Dictator apostou fortemente em estereótipos da cultura árabe, enquanto Brüno usou material deliberadamente homofóbico e levou a um acordo extrajudicial envolvendo um dono de mercearia palestino falsamente identificado no filme como ex-terrorista. Após o fracasso de bilheteria de Grimsby em 2016, Cohen passou a se dedicar a projetos mais explicitamente políticos, incluindo Who Is America? e a sequência de 2020, Borat Subsequent Moviefilm.
Essas produções posteriores tornaram suas intenções políticas mais visíveis, mas nem sempre foram tão engraçadas quanto o Borat original. A sequência recebeu várias indicações ao Oscar e ficou associada a um episódio da temporada eleitoral envolvendo Maria Bakalova e Rudy Giuliani, mas sua mensagem frequentemente ofuscou sua comédia.
O lançamento mais recente de Cohen, Ali G: Who Iz I?, retorna ao personagem que precedeu Borat. O filme apresenta um Ali G mais velho, com dreadlocks grisalhos, debatendo apropriação cultural e confrontando um coordenador de DEI sobre as origens do durag. Seu tom é descrito como taciturno e prolongado, em vez de genuinamente revelador, sugerindo que o método antes provocativo de Cohen já não produz o mesmo insight sobre a psique pública.
Esse contraste reforçou a reputação de Borat como o ponto alto da carreira de Cohen. O filme de 2006 continua ofensivo e eticamente controverso, mas sua combinação de atuação, imprevisibilidade e exposição social continua funcionando de maneira mais eficaz do que grande parte do trabalho que veio depois.
Fontes: GQ.